Resposta breve: o brilho máximo do MacBook Pro tem dois valores, e a ficha técnica da Apple traz os dois na mesma página. O nivelador entrega-lhe "Luminosidade SDR: 500 nits" num modelo de 2021 ou de início de 2023 — 600 nos de novembro de 2023 — enquanto o painel Liquid Retina XDR é dado como capaz de "1000 nits de luminosidade constante em todo o ecrã, com um valor máximo de 1600 nits". A distância entre os dois não é avaria nem lotaria de fabrico: o sistema guarda essa margem para vídeo HDR e não a empresta a mais nada. Uma aplicação como o PGari Glowee volta a abrir parte dela para o trabalho corrente, até 1,5 vezes o topo do nivelador, em todo o ecrã ou só na janela onde está.
A seguir: as definições que tiram luz sem avisar, os números modelo a modelo, e a resposta direta para quem tem um MacBook Air.
Antes de acusar o painel, vale a pena percorrer cinco definições. Numa boa parte dos casos de "o ecrã do meu Mac está demasiado escuro" o problema está aqui, e não no hardware.
Se o nivelador está no topo e continua a não chegar, atingiu o limite que o macOS impõe — não o limite do painel.
O painel XDR foi feito a pensar em vídeo HDR, e o HDR só funciona se houver margem por cima do branco: realces várias vezes mais intensos do que a folha de um documento. Essa margem tem de estar sempre disponível, e a maneira de a garantir é manter o conteúdo corrente — SDR, na terminologia da Apple — travado bem abaixo do que o painel aguenta.
| MacBook Pro 14″ e 16″ | SDR (nivelador no máximo) | XDR, constante em todo o ecrã | XDR, pico |
|---|---|---|---|
| 2021 e início de 2023 (M1, M2) | 500 nits | 1000 nits | 1600 nits |
| Novembro de 2023 (M3) | 600 nits | 1000 nits | 1600 nits |
| M4 e seguintes (a partir de 2024) | até 1000 nits (exterior) | 1000 nits | 1600 nits |
Fonte: a ficha técnica da Apple de cada modelo. A coluna XDR só se aplica a conteúdo HDR.
Em percentagem: no modelo de 2021 o topo do nivelador vale metade da luminosidade que o painel sustenta, e menos de um terço do valor de pico; no de novembro de 2023 são 60% e pouco mais de um terço. Daí a experiência contraditória de ver um filme HDR deslumbrante e, minutos depois, uma folha de cálculo apagada contra a luz da janela — mesmo Mac, mesmo painel. Nos M4 e M5 o valor SDR sobe até 1000 nits, mas a Apple acrescenta "(exterior)" e essa palavra entre parênteses é a condição toda.
A margem não está trancada: o macOS expõe-na às aplicações sob o nome gama dinâmica estendida — EDR, extended dynamic range. Uma aplicação pode pedir modo HDR ao ecrã e escalar o que lá é desenhado. Existem duas maneiras de o fazer, e a diferença entre elas vê-se à primeira vista.
O método do véu sobrepõe uma camada clara à imagem. É trivial de programar e paga-se em cor: os tons perdem saturação e o contraste achata, porque passa a ver tudo através de uma folha de papel branco.
O método do painel deixa a imagem em paz e pede mais luz ao ecrã. É o método do PGari Glowee: o painel passa a modo HDR e a tabela gama do ecrã é escalada linearmente, de forma que todos os tons sobem na mesma proporção. Nada de tone mapping alterado, nada de desvio de cor, nada de camada por cima — quem trabalha em fotografia ou design continua a ver as cores que definiu.
São três níveis, cada um com o seu fator fixo sobre a tabela gama, sempre limitado pela margem que o ecrã tiver naquele momento:
| Nível | Fator gama (máximo do nivelador = 1,00) |
|---|---|
| Low | 1,20× |
| Medium | 1,38× |
| Max | 1,50× |
Ligue pelo sol na barra de menus, ou prima ⌃ ⌥ ⌘ G a partir de qualquer aplicação.
Subir o ecrã inteiro sobe também o que não interessa. É para isso que serve o Boost Area, que escolhe o destino da luz:
Numa esplanada, esta é quase sempre a opção certa. O documento recebe a luz extra do painel; tudo o resto fica no nível em que estava, e o contraste entre os dois ajuda ainda mais do que os nits.
Há três coisas que repõem as definições do monitor sem aviso: o Night Shift, o True Tone e o modo de pausa. Em qualquer dos casos o Glowee deteta a reposição e repõe o seu nível em menos de dois segundos, e depois de uma pausa volta a ligar-se aos monitores no nível em que ficou.
Nenhuma aplicação inventa luz. O que decide é o painel que tem à frente.
Com margem EDR, e portanto reforçáveis:
Sem margem, e portanto impossíveis de reforçar: o MacBook Air e qualquer Mac sem painel XDR. A ficha do Air de 13 polegadas com M4 indica "500 nits de luminosidade" num "ecrã de 13,6” (diagonal) com retroiluminação LED e tecnologia IPS"; a palavra XDR não aparece uma única vez na página e não há valor de pico nenhum. Esses 500 nits são o tecto físico, e nenhuma aplicação o levanta — uma camada clara por cima torna a imagem pálida, não luminosa. Quem tem um destes fica com as definições da primeira secção; e se o incómodo real for um ecrã cheio de coisas em vez de um ecrã escuro, escurecer as janelas que não está a usar funciona em qualquer monitor, XDR ou não.
Mais luz custa bateria e custa calor, exatamente como custaria se o nivelador do sistema chegasse lá sozinho. A regra prática é simples: quando voltar para dentro, desligue. O atalho existe para isso — o mesmo acorde liga e desliga.
Há ainda uma assimetria que convém conhecer: o reforço de brilho fica de fora das capturas e das gravações, por isso o vídeo sai com aspeto normal para quem o vir. Para orientar o olhar de outra pessoa é preciso a outra função — o Spotlight escurece tudo menos a sua janela, e esse aparece na gravação.
Um nit é uma candela por metro quadrado. Posto em proporção: num MacBook Pro de 2021 com o nivelador no máximo, onde a Apple indica 500 nits, um realce a 1600 nits é cerca de três vezes mais claro do que o branco da folha ao lado dele. Mas o valor é para realces HDR, não para um ecrã branco inteiro — nesse caso o número a usar é o valor constante, 1000 nits.
"Ajustar brilho automaticamente" só é apresentada, em Definições do Sistema > Monitores, nos Macs que têm sensor de luz ambiente. A mesma página da Apple menciona ainda a "Compensação de luz ambiente". Se não vir nenhuma das duas, o seu Mac não tem o sensor e o ajuste passa a ser manual.
A Apple dá a ordem: "Confirme que o brilho do monitor não está desativado" e "Prima para verificar ou ajustar o nível de brilho". Para passos mais finos existe Opção+Shift com a tecla de brilho; num monitor externo o ajuste vai pela tecla Controlo, e só resulta se o monitor o permitir.
Três suspeitos, por esta ordem: o brilho automático a compensar a divisão onde está, uma definição de bateria a escurecer o ecrã, ou uma comparação injusta com vídeo HDR — que o macOS autoriza a ir a 1600 nits de pico enquanto uma janela normal no mesmo ecrã fica presa nos 500 ou 600.
Só num Mac com ecrã Liquid Retina XDR ou outro monitor EDR. O nivelador para no limite SDR e o brilho máximo do MacBook Pro que fica por cima dele é margem HDR, que uma aplicação pode abrir para conteúdo corrente — o Glowee até 1,5×. Num MacBook Air não há nada para abrir.
As teclas de brilho atuam no monitor externo com a tecla Controlo, e só se o monitor o permitir. O reforço do Glowee funciona em monitores compatíveis com EDR e levanta ao mesmo tempo todos os que estiverem ligados.
Não pelo método do painel. A tabela gama é escalada linearmente e o tone mapping fica intocado, pelo que as cores se mantêm e só muda a quantidade de luz que sai do painel.
Não há fonte para recomendar um número e não vamos inventar um. O que esta página afirma vem das fichas técnicas: 500, 600 ou até 1000 nits em SDR, consoante o modelo, e acima disso margem que só aparece em HDR.
O Glowee é gratuito durante 7 dias, com tudo desbloqueado e sem conta. Depois é uma compra única — um Mac, ou três Macs com uma só chave — com 30 dias para reembolso.
O PGari Glowee é uma aplicação de barra de menus, com menos de 2 MB, para macOS 13 ou posterior em Apple silicon e Intel. Não instala extensões de kernel nem processos em segundo plano; feche a aplicação e o monitor volta ao normal.